O que dizer do renascimento da famigerada liminar do mais paulista dos institutos cariocas?

Basta ler atentamente a decisão para concluir que o nobre julgador foi induzido ao erro, quem sabe por um jogo de palavras despretensiosas e inebriantes, pois o recorrente afirma que a regra da CVM permitirá que se divulgue na WEB a “remuneração de centenas de pessoas”. Até os bobos do mercado de capitais sabem que a regra só determina a exposição da remuneração mínima, média e máxima por órgão da administração, sem CPF de nenhum proeminente executivo…

Alguém sabe responder quando o último CEO de uma empresa de capital aberto foi sequestrado no Brasil? 5 anos? 10? Quem sabe 20 anos? Será que nesses casos, se é que aconteceu algum, o esperto sequestrador leu a DFP ou a ata da AGO depositada na CVM ou ele se interessou pela vítima que estava na matéria da revista de fofoca sobre a reunião de CEOs em Comandatuba? Quem sabe um ex-empregado vítima de um fechamento de fábrica?

A verdade é que os executivos tem vergonha de revelar o quanto ganham nas grandes empresas: a remuneração é alta porque a empresa fatura muito, independente do quanto é agregado de valor ao longo do tempo (e para ser honesto tem que descontar o incremento de preço pelo fator China….).

Se a CVM quiser jogar luz na falta de transparência basta obrigar as empresas a revelar qual é a relação entre o maior salário e a média das remunerações na organização. Isso, uma relação entre valores que não permitirá ao esperto seqüestrador inferir qual a remuneração do gorducho CEO. Muitas surpresas virão e muitos investidores poderão questionar o quão injusta é a remuneração do andar de cima…

Próximo passo: julgamento no STF, mas sabe-se lá quando.

Aparecer na capa da revista semanal ou como “homem de valor” todos querem, mas transparência pra valer no Brasil só se for na Av. Atlântica ou em loja de lingerie…

E isso não é opinião, é fato revelado por matéria publicada no Broadcast no último dia 22/3 (“Exclusivo: batalha entre CVM e IBEF será decidida por tribunais superiores”): nada menos que 46% das empresas do Ibovespa continuam escondendo informações sob a ”proteção” da salvadora liminar.

Como diriam Chico e Milton: “Esse silêncio todo me atordoa… Pai, afasta de mim este cálice”.

Abraços a todos e uma boa semana,

Renato Chaves

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Transparência no Brasil? Olha a liminar de novo na área….