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Profissão se valoriza à medida que empresas buscam excelência para enfrentar a competição TERCIANE ALVES Faltavam alguns dias para o carnaval de 2001, prazo em que o gerente de projetos da Lucent Technologies Paulo Ferrucio deveria concluir a instalação de uma rede ótica, ligando várias capitais do Nordeste, com um cabo de 8 mil quilômetros, serviço encomendado por uma operadora de telefonia para expandir sua atuação. O tempo estava apertado e um acidente deu mais adrenalina à história. "Uma placa instalada no Estado do Tocantins rompeu e não tinha sobressalente. Mandar uma placa por via terrestre demoraria dias", conta. A solução teve de ser rápida. "Decidi contratar um helicóptero, na época ao custo de R$ 8,5 mil, para levá-la até o local." Deu certo. "No primeiro dia útil após o carnaval, havia uma estação repetidora do sinal, a cada cem metros do trecho, como previsto." Esse é um dos episódios da carreira de dez anos de Ferrucio como gerente de projetos. Também ilustra a importância e o dia-a-dia dos gerentes de projetos na atualidade. A especialização, apostam os conhecedores do ramo, tem obtido status, valorização e um interesse crescente de jovens, que buscam tanto programas de pós-graduação na área como a certificação internacional atestada com a metodologia do Project Management Institute (PMI), que dá o título de Project Management Professional (PMP). A metodologia do PMI, organização americana, nasceu nos anos 60, por um grupo de meia dúzia de entusiastas inspirados nos fundamentos do Projeto Espacial Norte-Americano, e hoje é referência mundial. "O PMI tem cerca de 100 mil integrantes no mundo. No Brasil são 1,4 mil. Já temos mais de 500 certificados na metodologia Project Management Body of Knowledge, do PMI", conta André Barcaui, diretor de Desenvolvimento Profissional do PMI-Rio, também diretor da ESI Internacional, provedora de treinamento na área, e professor do MBA em Gerência de Projetos da Fundação Getúlio Vargas e da Faculdade de Economia da Universidade de São Paulo. "A metodologia está ancorada no tripé gente treinada, ferramentas e processos." Estudiosos da área dizem que essa carreira se expande à medida que as organizações buscam mais excelência em seus projetos, ainda mais em um ambiente de competição, trazido pela globalização. Na área de tecnologia, por exemplo, estudos mostram que 70% dos projetos não atingem prazo e orçamento dentro da especificação do cliente. Desse total, 50% estouram em dobro o prazo e os recursos. O professor diz que há uma demanda aquecida por executivos com boa experiência na área no Brasil. Tanto que várias empresas de tecnologia, telefonia e energia já criaram essa função em seus quadros. "Um profissional júnior pode ganhar cerca de R$ 4 mil numa multinacional, um sênior pode chegar ao salário entre R$ 15 mil e 20 mil." Barcaui ressalta que também cresce a busca por terceirização de gerenciamento de projetos, o que impulsiona a demanda por esses profissionais em empresas prestadoras desses serviços como HP, IBM, Lucent, Nortel. Carência - O diretor de Recursos Humanos da Brasil Telecom, Carlos Geraldo Magalhães, endossa a opinião. "Há uma carência muito grande de gerentes de projetos bem preparados." Para o executivo, o ano de 2003 deve registrar o aquecimento desse mercado trabalho, uma vez que vários setores, como de telefonia e bancário, "estão em plena fase de consolidação", marcado por fusões, o que requer projetos não só de integração de sistemas como de lançamento de produtos. Barcaui concorda e cita os altos investimentos esperados no setor de óleo e gás, com as perfurações previstas pela Petrobrás, como influenciadores da alta demanda. "A área de engenharia civil e elétrica está aquecida." A caçadora de talentos Irene Azevedo, diretora da Mariaca Associados no Rio de Janeiro, reforça: "A habilidade em saber medir os resultados é muito requisitada hoje. Cada vez mais as empresas estão trabalhando por projetos." O vice-presidente do PMI, seção Rio de Janeiro, Luiz Henrique Gomes de Souza, na área há dez anos, lembra aos interessados em buscar a certificação que a metodologia é utilizada em 100 países e deve ser usada como referência, adaptada a cada área. Para obtê-la é preciso ter experiência mínima e fazer uma prova com 80 questões. "O mercado já reconhece bem a certificação", diz. Segundo ele, quem a detém conquista salários melhores. Aos 54 anos, Ferrucio, já aposentado, com passagem pela IBM e HP e a coordenação de 30 projetos no currículo, não trabalha menos de 12 horas por dia. Devora livros sobre a área e tem estudado sobre relacionamento e conflitos em equipe, fatores que ele acredita serem tão ou mais importantes que o conhecimento técnico para um bom gerente. Ele diz que o trabalho não é muito dinâmico. "Um projeto requer planejamento, controle, gerenciamento, integração, recursos, objetivos e plano de custos." Fonte: Jornal O Estado de São Paulo
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